segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Capítulo 5 - Impostor: aquele que não posta

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É a última vez que trato desse assunto, creiam-me: Não sei porque caralhas hirtas e expectantes achei que conseguiria manter postagens frequentes e regulares tendo plena consciência de ter sido vítima de alguma quizumba braba da maldição do compromisso. Explico.

A coisa pode estar fluindo maravilhosamente bem, tudo funcionando 'à pampa', diria um amigo meu paulistano (aliás, que porra é essa hein? qual é a origem disso?) até que algum animal de teta - na maior parte das vezes, eu mesmo - decide formalizar a coisa, digo, colocar na rotina, programar, fazer planos, juras de amor, essas coisas assim e sobretudo, assumir um contrato com prazo de entrega. Pronto, fodeu.

Da última vez que postei, convencionei comigo mesmo que se não uma vez por mês, ao menos toda vez que houvesse o "serão literário" da FCL eu aproveitaria a oportunidade para escrever, comentando-o e aproveitando o ensejo para resmungar algumas baboseiras extras. Lá se foram 3 meses e 2 palestras e nada de postagens. Não que me faltasse vontade, ao contrário, quantas não foram às vezes que eu pensei, "poutz, isso dava um bom texto" e, em certos casos, até me remoí dias com aquilo na cabeça, coisa que me deixa angustiado e sem tato para o convívio.

No entanto, a pressão em manter o blog atualizado (principalmente quando recebo cobrança da minha legião de leitoras, Ka e Dai) me bloqueia de tal modo que concluo - só agora percebo - que a impressão de conspiração por parte do tempo que eu pensei haver quando tratei dos cursos de alemão é, na verdade, algo maior, é uma conspiração do universo todo, pra meu, sei lá, que eu tome no cu. Só isso explica essa minha incapacidade de levar uma proposição a termo.

Sim, porque não é fácil, meu companheiro, ser irresponsável a esse ponto. Cumprir com os compromissos é uma exigência básica para se sobreviver em sociedade. Recentemente fodi com a vida de um - se é que ele me considera ainda -  amigo, quando prometi-lhe entregar uma resenha para um trampo que ele havia pego. Nem preciso falar que chegou o dia e não havia nada preprado.

Uma prova de que não é apenas o tempo que está trabalhando na surdina pra me enrabar, mas sim todas as coisas existentes entre os céus e a terra e além deles, é que nessas férias haveria um novo curso do idioma do time que desclassificou a Argentina - em alemão: Argentinienverlirermanschaftmachersprache - e  para surpresa alguma minha, dos meus colegas e organizadores, eu entrei atrasado. Eu já sabia de antemão da data, eu estava de carro para não pegar chuva no caminho - como aconteceu de moto no início do ano -, eu preparei as malas na noite anterior e prometi dormir cedo pra acordar no horário e bem disposto e... a única coisa que poderia atrapalhar meus planos apareceu: uma mulher e uma cama quentes. Resultado, fuá até alta madrugada, sono irregular e fora de casa. Tá, dessa vez não reclamo muuuito, mas digam-me cá, há ou não há alguma urucubaca modorrenta sobre esse escriba aqui?

A mim funciona bastante aquelas espécies de acordos tácitos, assim esse órgão controlador geral dos destinos, OCGD doravante, (que só funciona mediante protocolos) não fica sabendo e não tenta sodomizar minha vida sem lubrificante. E não se fala mais disso. Chega. Agora fica assim, quando der eu escrevo, se não der não escrevo, quem quiser ler, leia, quem não quiser, não leia.

(À parte e baixo: Psiu, to falando isso pra enganá-lo e desviar sua atenção de mim, amo vocês e escreverei mais e sempre, prometo!)

OCGD: Ahá!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Capítulo 4 - Sacudindo a poeira e descobrindo neuroses

Bom, vamo lá, lembrei que tinha um blog e que por ser cria minha não merece menos atenção que um filho - se bem que se eu abandonasse por tanto tempo assim um incapaz já estaria amargando uma cana. Mas tudo bem, essa criatura aqui não chora nem reclama (tirando minha única e especial leitora assídua que cobra postagens. Valeu Ká, uma mãe completa, que além de zelar da minha higiene e alimentação, ainda verifica se estou fazendo certinho o dever de casa) e nem conta com um estatuto próprio que a defenda.

No começo dessa empreitada tudo eram flores e na empolgação do início cheguei a crer que postaria algo novo toda semana. Balela. Comecei no início de Janeiro - ano novo, vida nova, blog novo - prometendo não abandoná-lo como fiz com o judô, as caminhadas matinais, o Kung-fu, o estudo de filosofia, as aulas de bateria, teclado e percussão, a colheita feliz, o jiu-jitsu, as aulas de dança, a coleção de selos e o twitter, mas zás, 5 postagens depois e deixei um mês inteirinho para trás; março passou em branco e abril se salvou aos 45 do segundo tempo num gol chorado (E aí, Dai, aprendi bem a fazer metáforas futebolísticas?). Acho que da última vez que postei algo, ainda estava com o monitor velho... quero dizer, mais velho.

De lá pra cá nada de muito novo no front, com exceção de que as aulas voltaram e a maior parte dos meus colegas de sala se formou e deu linha na pipa. Quase toda a outra parte que sobrou não faz as mesmas disciplinas que eu, de modo que se não fosse o power trio, Alê, Jacque e Su, eu já teria se suicidado com um afogamento no espelho d'água, tamanho o tédio que ronda esse resto de faculdade.

E por falar em pessoas que picaram a mula, deitaram o cabelo, fizeram rastro, queimaram o chão,  vazaram na brachiaria, pegaram a reta e sumiram do mapa, depois do Johnny que foi pra Grécia (e veio ver os amigos há 1 mês) e da Estela que vazou pros States, a Larissa também fez as malas e caiu no mundo, foi parar na Alemanha. Pelo jeito, em pouco tempo, cativou a branquelada com a aquele quadril de brasileira e aqueles cabelos cacheados jeito caipirão de ser (sardade do cê amigona, fidumaégua que não responde no msn).

E caralho, agora comecei a lembrar de um monte de coisa que aconteceu desde a última vez. Ainda ontem queixava-me do marasmo que assola a vida ultimamente, entretanto, foi só dar uma remexida na gaveta da memória e algumas peças que estavam dobradinhas lá no fundo saltaram à tona. Mas deixa pra lá, fica pra próxima. Só que fui pra praia... prosaico, não fosse que foi minha primeira vez no mar e como eu já acreditava que era salgada, não!, não tive a estúpida vontade de experimentar aquela água chuja pra comprovar. Ceticismo tem limites. Ah, e tomei uma multa por excesso de velocidade. Mais pontos numa carteira e menos dinheiro na outra. Mas tudo bem, eu poderia ter sofrido um acidente.

Voltando pra faculdade, gostaria de registrar aqui o motivo que me tirou da inércia e me fez retomar essa porra os escritos. Desde a semana passada eu já estava sabendo de um serão literário com um tal escritor Nelson de Oliveira que haveria hoje no anfiteatro B. Nunca havia lido o cara mais gordo, tampouco ouvido falar sobre, mas farto da teoria das salas de aula decidi que iria, pra curtir um pouco a literatura em vez de apenas ficar abrindo-lhe a barriga pra fuçar nos orgãos.

Cheguei atrasado, porém a tempo de ouvir ao escritor bastantes cousas interessantes, sobretudo sua opinião sobre o futuro do mercado editorial (além de escrever ele também trabalha numa editora) e do livro enquanto esse objeto tradicional, a literatura que não é altamente vendável e sua geração de escritores, conhecida como geração 90. Já os contos selecionados para a ocasião não me agradaram sobremaneira, pois não havia ali qualquer coisa nova no que toca a experimentação. O que me agrada ver em escritores novos é a capacidade de fazer bem o velho, se bem que até a experimentação tá velha, falo do velho tradicionalzão mesmo.

Mas o mais interessante foi que descobri ter uma neurose sem precisar pagar o psicanalista. Explico. A neurose era dele, contudo, quando ele a expôs, eu bem que quis interrompê-lo cobrando meus direitos de autor, porque aquela idéia - que em explicação ulterior, descobri ser uma neurose - tenho certeza que era minha. Consiste no seguinte, para ele o mundo é um enorme teatro e as pessoas vivem fingindo as relações sociais o tempo todo, assumindo obstinadamente seus personagens, pois só isso explicaria a não resolução de problemas (dentre eles uma guerra, por exemplo) facilmente resolvidos por qualquer aprendiz de lógica. Pois bem, eu que há certo tempo refletia nisso, já me havia adiantado em algum ponto: tal resolução só não se dá porque estamos lidando com seres humanos e não com animais racionais. E tenho dito.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Capitulo 3 - O Orador de boteco


 Frase: "Por que as pessoa têm essa ridícula mania de conversar umas com as outras? Não serve pra nada mesmo." Flavio M.. (Tá, é a última vez que escrevo esse nome por aqui)
Música: Keep talking - Pink Floyd


Gostaria de chamar atenção aqui para um tipo cada vez mais comum nessa nossa sociedade atual, tão ávida por comunicação que nunca vi em nenhuma das minhas outras vidas : O orador de boteco. Faço, antes, um adendo. Sempre preferi manter-me calado a falar besteira, contudo, como nesses tempos quem não se comunica se trumbica, mudei muito minha postura ultimamente, de modo que talvez  caia no meu próprio ardil. Espero que não.
  
Continuando, apesar de eu ter colocado o bar como habitat natural desses indivíduos, é possível encontrar espécimes em qualquer círculo social. São conhecidos basicamente pela habilidade pentelhice com que tomam a palavra. É sair um assunto qualquer na roda e pronto, o sujeito segura o microfone e desembesta a falar tal qual um pastor que cheirou cocaína. E entendem de tudo os desgramados, de castração de grilo a atracação de navio, de plantação de rabanetes nas ilhas Seychelles a reforma tributária. É de dar inveja. 

É claro que não se limitam a apenas expor a teoria. A maioria também já vivenciou a situação em questão e de um modo ou de outro, saiu por cima, pois é claro, a idéia por trás de toda essa patacoada é a auto-afirmação. Em sendo homem, caso alguma lady esteja presente, dá até pra se entender - se bem que deve dar no saco até das mais tolerantes -  mas, de outra forma, ah! vá se auto-afirmar pra lá do pasto, vai!

Veja bem, não falo aqui de conversas bem-humoradas, nas quais inevitavelmente alguns indivíduos mais familiarizados com o discurso conduzem agradavelmente a tertúlia, distribuindo vez por outra, de forma igualitária, a posse da palavra. Não! Falo daqueles, e por que não, daquelas zé-ruelas que insistem a todo custo em dar seu pitaco em todo e qualquer assunto, com toda sorte de asneira que sua mente puder excretar, só pra ganhar um pouco de atenção deixar o ambiente cada vez mais entediante.

Mas como já coloquei, seu (o dele) ambiente preferido é o bar. Aí não tem pra ninguém, sobretudo porque a tensão nesses lugares é menor e o teor alcólico maior. O interlocutor pode tentar o que for entre uma pausa para a respiração ou uma molhada de bico no copo de cerveja, porém é introduzir (ui!) o discurso (ah!) e lá vem o Sócrates de botequim atropelando a sentença para dar sua opinião infindável, ou, quando não, para encerrar o assunto em pauta e retornar a epopéia heróica ( é pleonasmo isso, né?) de sua vida. 

Ah sim, como não, adoram falar de si próprios! A história de suas vidas renderia uma daquelas produções hollywoodianas cheias de explosões, aventuras e muita confusão, cujo protagonista seria o Zé Mayer (já que entre uma fuga e outra sempre há tempo pra dar umazinha com uma transeunte ao acaso) no caso de um gajo. Com raparigas a coisa gira em torno do vestuário, dos acessórios e das traquinices conjugais das "amigas".

Como não bastasse ter atentado contra a paciência de todos da mesa com suas bravas peregrinações ao reino da felicidade, se só sobrou homem no recinto, prepare-se, meu companheiro, para a inevitável demonstração de pinto. Nesse caso o pior não é escutar que o caralho de ferro do cidadão trabalhou initeruptamente por três horas a fio, oiq?. O pior ainda esta por vir.

Como a lei natural do orgulho masculino não permite que qualquer outro homem além de você próprio possa ter a ferramenta em riste medindo e operando mais do que qualquer outra, tem-se início uma batalha oratória das mais refinadas na qual cada presente vai se sobrepor ao outro com uma performance sexual que faria qualquer ator pornô pedir demissão. Todos da mesa têm o que dizer. Até aquele um que permanecia lacônico ali no cantinho, desperta como que por encanto, seu olhar ganha um brilho renovado e ele entra também na dança da medição. E haja criatividade... principalmente em época de carnaval com a promiscuidade tão alta...

Bjosmesacaneiem

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Capítulo 2 - Sensações


Frase: "De vez em quando eu até tenho sentimentos, mas só se não tiver ninguém olhando" Flavio M.
Música: Bayern, des samma mia - Rammstein (??)

Vamo lá., primeira postagem de cara nova. Agradecimentos ao B.ruder que me passou o site com os templates. O phoda foi que tinha tanta opção, mas tanta opção que no fim já estava confuso. Pô, sacanagem, ainda mais comigo... indeciiiiso que só. Padeço do mal do asno de Buridan. Bem, mas chega de metablogagem.

Tarde do último domingo. As tardes de domingo são conhecidas por serem, de modo geral, o período mais depressivo da semana. Essa última tinha tudo pra não ser diferente. Já até estava esborrachado no sofá e prestes a injetar mais uma dose ver o Faustão, quando decidi olhar pela janela. Com um esforço sobre-humano levantei um pouco a cabeça da almofada e para minha surpresa essa tarde estava fantástica. Aquele sol escaldante que me faz derreter litors!111!! nos dias comuns havia se escondido em uma nuvem qualquer aí no horizonte e dava início ao seu espetáculo diário do ocaso; nenhum sinal de chuva em qualquer direção que a vista alcançasse e uma claridade estupenda esparramava-se pelas ruas meio silenciosas.

Assim, tomei um pouco de coragem e resolvi ir até a varanda a fim de aproveitar melhor o momento. Nesse ínterim, meu fila brasileiro que não é bobo nem nada, mas é carente como uma criança de colo, percebeu a movimentação e veio até mim com aqueles  olhos caídos e um semblante tão melancólico,  que perto dele o bisonho pareceria um ursinho carinhoso. Seu olhar, que muitas vezes expressa mais que 100 páginas de muito nego por aí, clamava por um passeio pelas redondezas. Pensei, refleti, ponderei e obtemperei: por que não?

Coleira colocada e mãos a obra. Digo mãos a obra porque ele dá um trabalho danado. É incrível como o humor dele muda nesses momentos. O paquiderme de cerca de 80 kilos torna-se um pinscher zero e fica pulando e vibrando descontroladamente. Haja braço pra segurar a criatura. Sua curiosidade pelo mundo exterior aos muros é a mesma de uma criança posta num ambiente novo. Tudo ele quer cheirar (quase dei-lhe o nome de Maradona por isso) tudo quer sentir, tudo quer tocar, se pudesse aposto que me perguntaria - Mas por que isso...? por que aquilo...?

Bem, foi entre uma farejada e outra, entre um levantar de orelhas e alguns segundos de atenção que me dei conta de como somos dependentes de nossos sentidos. Na ocasião também fazia algo de que não faço costumeiramente, vestia meus óculos de grau em público. Eu que sempre achei que 1 grau de miopia não fazia diferença, fiquei deslumbrado com o que via (!). Aquela sensação de tarde fantástica que havia notado minutos antes, era otimizada através do vidro das minhas lentes côncavas. Foi aí também que conjeturei: E se, ao invés de vários sentidos medianos, tivéssemos, sei lá, um olfato tão aguçado como o de um cão, por exemplo? Nesse caso poderíamos saber o cardápio do almoço a um quarteirão de distância? Ou, ainda, descobrir quem foi o maldito que soltou aquele pum com a sala lotada? De que seríamos capazes se ao nosso tele-encéfalo altamente desenvolvido e aos nossos polegares opositores tivéssemos, associado, um sentido extraordinário? Poderíamos ouvir conversas alheias ou uma agulha caindo do outro lado da parede, sem aqueles aparelhos que a polishop ofertava na década de 90?

Mas não vem ao caso. O fato é que nossos sentidos são insuficiente para os infinitos estímulos que devem existir por esse mundão a fora. Contudo, e por sorte, nós, o zumanos, além dos sentidos convencionais, somos agraciados com um outro sentir. O sentir do coração. Não se trata de um sentido muito preciso, é vero, e não que os animais não o tenham - ao contrário, têm até mais que certos párias de nosso convívio - mas é que nós temos a língua e eles não. Daí também esse sentimento de imprecisão das cousas do coração, ou vai dizer que ela, a língua, dá conta todavida de expressar certinho aquilo tudo que vai se enfiando sem permissão mesmo - afinal é o único sentido que não conseguimos controlar - por debaixo das costelas?

E não falo só de afetividade, não. Quantas vezes já não previmos certas situações mesmo a grandes distâncias? Quantas vezes não notamos certas disposições de espírito sem mesmo ter ouvido uma só palavra do cidadão? Em quantos ambientes já não botamos o pé e sentimos um calor aconchegante ou um arrepio de dar vontade de voltar imediatamente? Acho que todos já passamos por isso na vida. Intuição? Sei lá... eu prefiro creditar isso ao sentido do coração. Enfim, chovi no molhado e sei que isso não é nenhuma novidade, porém (lá vem mais uma adversativa) em meio a essa sanha por sistematização por parte da ciência, ainda é o polo do sentir o responsável por captar o que há de mais verdadeiro nisso que chamamos realidade.

E pra arrematar vai isso aí:


alma acerTA alguém

 Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
                                                                                                                 Florbela Espanca


Merecias as quadrinhas mais inocentes
De um amor cortês vindo de outrora
Um ideal a se buscar longe, lá fora
Com olhar e alma transparentes

Um modelo de deusa inatingível
Que poetas cantariam pelo universo
E a ti dedicariam não apenas o verso
Mas uma servidão incognoscível

És, no entanto, muito humana
E em sua essência, as damaged as me.
Da deusa que passei a ver em ti
Amor e ódio conjugados emanam

Não quero a perfeição utópica,
A viver esgueirando-me da vida.
Quero, antes, toda a dimensão trágica
Perante o paraíso, a alma dividida.


Nota  4: Sem nota hoje. Obrigado

sábado, 23 de janeiro de 2010

Kapitel 1 - Cursos de alemão e considerações sobre o tempo.


Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010. Como todo bom primeiro dia de um curso de alemão que já fiz na vida, eu estava atrasado.

Ainda me lembro da primeira vez em que entrei numa sala de aula, cuja língua de Goethe, Schiller, Mozart, Beethoven, Schopenhauer e Nietzsche - só pra ficar nos mais batidos - seria o mote da noite. Coincidentemente era também meu primeiro dia na FCL e em meio as centenas de calouros - a maior parte deles, tão bem informada quanto um asno do interior do Paraná - eu vasculhava classe por classe em busca de uma horda de bárbaros pronunciando sons guturais (não, não estou falando de bandas True Norwegian Black Metal, perobo leitor). Passados cerca de 20 minutos, avistei alguém que supus fazer parte da minha turma e segui o Mesmo até o local onde uma professora loira, de olhos azuis e perna quebrada, que parecia ter saído de algum vilarejo da Baviera - por causa da perna quebrada, naturalmente - torturava com ßs, umlauts e um aglomerado de consoantes em seqüência, alguns incautos que criam errônea e orgulhosamente ser a palavra "Chucrute" parte do léxico teutônico. Envergonhado, encontrei uma vaga entre meus colegas e tentei debalde acompanhar aquela algazarra lingüística. Estava atrasado.

No primeiro curso da APPA, não bastasse eu estar atrasado, ainda entrei na sala errada; a vergonha e a falta de compreensão foram maiores nesse dia. Os outros alunos, todos desconhecidos para mim, perceberam logo minha gafe tragicômica e observavam-me com um olhar num misto de riso e piedade. Era a segunda vez. No ano seguinte, novamente; contudo sem procura por sala e sem entrada equivocada dessa feita, mas, pela terceira vez, atrasado. No mesmo ano, curso de alemão intensivo no Instituto Goethe, em São Paulo. Ainda enrubesço quando me lembro desse episódio. Inocente no trânsito da capital, deixei para procurar o ônibus no último instante. Resultado? Ônibus errado e 1 hora de atraso. Transpirando feito um porco-espinho (maldita ladeira da Rua Lisboa), ainda tentei safar-me na porta da sala com um educado "Guten Abend" ,no que o professor rebateu com um irônico "Gute Nacht", para a alegria da platéia. E isso não foi tudo. Bastou chegar o intervalo para descobrir o quê? No afã de chegar a tempo à aula, entrara na sala 12 em vez da 11! Boa, campeão...!

Pode até parecer indisciplina, eu sei, mas acreditem, por mais que eu viva no improviso, chegar atrasado, mormente em compromissos que fiz com prazer e espontânea vontade, não é do meu feitio. Em todos os outros dias se não cheguei adiantado, cheguei pelo menos no horário. O inferno é o primeiro dia. Caso é que começo suspeitar do tempo. Não falo aqui de "Zeit" mas sim de "Wetter, não é de Chronos, mas sim de ahn.., bem vocês me entenderam. Ele tá de sacanagem comigo, só pode. Para efeito de estatística, das últimas três vezes que coloquei o pé, digo, o pneu na rodovia, quatro choveu. Tanto que alguns dias atrás, voltando da casa do Goes, em Matão, tive que pegar-lhe emprestado uma jaqueta e um par de botas para chegar a salvo em minha cidade. Dança da chuva? Produtos químicos que aceleram a precipitação? Balela. A saída para acabar com a seca no sertão nordestino está aqui: coloquem-me na condução de um veículo de duas rodas com motor dois ou quatro tempos, que é água na cabeça.

E não se trata apenas de chover no dia que resolvo viajar de moto. O malandro tem suas artimanhas. Nesta fatídica segunda-feira a que me referi no início, foi a pior de todas as vezes. Já encontrava-me no lombo da minha cavalgadura mecânica quando vislumbrei a leste - destino de minha viagem - algumas Nimbostratus incipientes a despontar no horizonte. Contrariado, apeei da condução e coloquei a roupa de chuva na mochila por precaução. Nem bem havia rodado 20 Kms quando na altura de Nova América o primeiro pingo deu às caras. Pacientemente estacionei meu meio de transporte num ponto de ônibus e dei início ao ritual de agasalhamento, assim mesmo, com “ga”. Calça, botas, jaqueta por baixo e blusa de chuva por cima... é... e, o que parecia uma tarefa simples, tornou-se o pior dos meus pesadelos.

Como na mochila não viajava apenas a roupa de chuva, mas também o material para o curso, alguns equipamentos eletrônicos e um livro emprestado, notei que ela também precisaria de proteção. Foi então que tive a brilhante idéia de colocar a blusa de chuva por cima da mochila. Estiquei-a o máximo que deu até que consegui prender a base do zíper. Como fizesse muita força e também porque a blusa é impermeável e quente, o suor já escorria aos borbotões. Comecei a subir o zíper que, não muito para o meu espanto, quando estava na metade, estorou na base e abriu deixando-me atado de tal forma que parecia um boneco de Olinda. Foram minutos de luta incessante para sair daquela situação. O maldito não subia nem descia e já ameaçava esgarçar de vez e me deixar na mão. A essa altura o suor jorrava litors!!11! enquanto eu batalhava bravamente e entoava um mantra budista pra não mandar tudo às favas e voltar pra casa tirar meu sono atrasado. Consegui enfim me livrar daquilo que já tinha se tornado uma camisa de força e pude dar continuidade ao meu itinerário.

A mochila foi na chuva mesmo. Resolvi acreditar na impermeabilidade que me prometera o chinesinho da Barra Funda (- Balatinho, balatinho!) e mandei brasa. Entrei na Washington Luiz e quando eu achava que estava tudo bem, o danadinho aprontou mais uma das suas. Um sol ofuscante resolveu brilhar ao mesmo tempo em que o céu ameaçava desabar na região. E os óculos, onde estavam? Na gola da camiseta que estava debaixo da jaqueta que estava debaixo da blusa de chuva - sim essa mesma de há pouco, meus queridos. Sem parar o biciclo, enfiei a mão na blusa e num movimento a la Johnny Cage, os vesti.

Ok, muitos kilometros sob simultâneos chuva e sol intermitentes e meu suplício parecia chegar ao fim. Qual! Faltando poucos kilômetros para chegar em Araraquara, eis que a chuva cessa de repente e poucos metros a frente, sequer qualquer indício de umidade parecia ter havido ali nos últimos dias, o que contribuiu para a bocozisse da cena no momento em que entrei vestido feito um jacu de carapaça na seção de graduação para pegar a chave da Kit com o Du.

E quer saber, cansei. Não tomo mais chuva de moto. Tomo a pé mas não tomo de moto. Acabei da colocá-la a venda nos classificados do Jornal da Cidade. Interessados entrar em contato comigo.


Nota 3: O Bruno me prometeu enviar alguns Templates e  logo o GG estará de cara nova.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Preâmbulo - Algumas explicações

Como frequentador cativo da MDCEH da qual faço parte desde de meados 2006 - pouco tempo depois de sua fundação - e, ainda, leitor assíduo do Caffeine Cult, aprendi com o tempo a utilizar mais o dicionário do que estava acostumado, quando só abria o cartapácio em extremas situações de machadismos, ou para transpor em signos ainda mais ininteligíveis a coluna de Economia de um jornal regional daqui.

Pois bem, após três dias de circulação o Garatujas do Gustavo já acumulava reclamações às mancheias e uma turba enfurecida de leitores (total de 3) já ameaçava fazer um manifesto nada pacífico em frente a minha residência: - Mas que diabos são Garatujas?, reclamava um deles com o dorso da mão na cintura e o pé a fustigar violentamente o assoalho, de modo que resolvi explicar aqui o significado desse significante:

Não sei qual a origem desse termo mas o (ab)uso dele por parte dos meus concidadãos Cuehegelianos já me fazia ter uma idéia do que viria a ser seu representante no mundo real, antes mesmo de cotejá-lo com MEU dicionário eletrônico Houaiss. Garatuja. Trata-se, de acordo com o pai dos burros, de uma 1. Escrita com letras pouco inteligíveis. 2. Desenho malfeito; gatafunhos. 3. Tolice, ou seja, tudo que o que há de melhor por essas paragens. A escrita com letras pouco inteligíveis só não se ratifica porque, Gott sei Dank, a fonte eletrônica é padrão, pois fossem obrigados todos os meus leitores (3) a ler meus rascunhos no bloco de notas que carrego comigo, já haviam de ter desistido na primeira sentença. Quem já precisou copiar anotações do meu caderno que o diga. Contudo, se pensarmos no aspecto semântico, a coisa parece estar de acordo.

Isso posto, aproveito para revelar que este blog não fora minha primeira tentativa de colocar algo no papel. Sinto desde a adolescência algum comichão por ordenar palavras a esmo, à guisa de aliviar esse turbilhão interno, às vezes, sufocante. Numa dessas tentativas nasceu o que se segue e como seu assunto viesse a calhar com o propósito desse blog, achei que não seria de todo mau enfiá-lo-lhes goela abaixo. Entre uma e outra modificação, vai a versão final:

Músico sem talento.
Poeta sem engenho.
Uma criação do caos,
vagando pelo nada,
tentando captar, aqui e ali,
um momento de inspiração,
pois crê que é chegada a hora,
a hora de dar forma
a seus monstros interiores.
Como uma parturiente,
faz força para trazer à luz
a filha de suas dores,
uma criatura sem mãe,
cujo pai desgraçado,
lambe qual cão faminto,
pequenas gotas de piedade
na face de algumas
poucas pessoas,
o que lhe dá ânimo
para mais um dia de vida
a bradar :
- Cresças bem aventurada!
Cresças e cuide deste velho infeliz,
que teima em te criar.
Dê-lhe alguma felicidade.
Tu, que talvez seja a primogênita
ou, quem sabe, a única de toda a dinastia,
se não fazes para ti, faça-o por ele!
Sou, enfim, um diletante,
um escravo do pensamento,
que insiste em alfinetar o ego
para manter-se acordado.


Nota: Jájá coloro(??) isso aqui. Eu sei que está meio mórbido, mas creiam-me, não é minha intenção. I'm so happy, cause today lá lá lá lá...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Exórdio - Satisfações primeiras

Por que ter um blog?
Primeiramente, a definição. De acordo com o MEU dicionário eletrônico Houaiss, temos:


Blog - 1. s.m. Do grego blogos, modelo de argumentação utilizada na Grécia antiga por pseudo-intelectuais com a finalidade de arrotar erudição na ágora. 2. Modelo de argumentação utilizada no Ocidente moderno (tá, mas eu nunca vi um blog árabe, ou neozelandês, por exemplo) por pseudo-intelectuais com a finalidade de arrotar erudição na internerd.

- Eeeeeeeeeeeepa, dirá a leitora contrariada, mas isso é reduzir e muito a abrangência(!?) do termo. Um blog também pode ser uma espécie de diário no qual o blogueiro deposita textos de cunho íntimo. Sem contar o sem-número de disseminadores de seriados, discografias, tutoriais, softwares crakeados e putar... digo, pornografias para download que tanto nos salvam no dia-a-dia.


Ok, concordo e acrescento mais uma função: a de prática de redação para auto-didatas. Pois onde mais poderíamos tornar públicas as baboseiras nossas de cada dia, lê-las, relê-las, receber críticas e (tentar) melhorar a escrita, tudo isso de graça?


Continuando, mas por que ter um blog mesmo?
Bem, penso que, além dos supracitados, também pelo mesmo motivo que tenho orkut, facebook, twitter, second life, hi5, safadinhas.com, messenger, etc: porque todo mundo tem, oras! E haveria eu de ficar para trás? Entre outros, o Flávio tem, o Leonardo tem, o Alexandre tem, o Olavo Pascucci tem, o Zé Ruela do meu trampo tem e, recentemente, tive a oportunidade de conhecer o da Daya Maya, que, heroicamente, até mesmo publicou nele um poema(?) meu (thanx, Daya XD); tal azo deu-me ensejo a que criasse o meu próprio - achei o nome, bauzinhodamaya, de bom alvitre e daí tirei o garatujasdogustavo®, também porque conservava nos "Meus Documentos" um arquivo contendo uma série de fantásicos quatro er... agrupamentos de palavras, escritos ao longo de toda minha vida(!) cujo nome é "Minhas Garatujas". Pronto e aqui já vai a explicação do nome.

Além disso, meu psicanalista disse que seria interessante eu ir colocando no papel minhas desgraças diárias a fim de, ao modo de Zeno Cosini, usá-las como um espelho da alma e encontrar nos escritos algum princípio de umas neuroses aí...

No mais, tá criado e a internet, que já está saturada de tanto cocô, quero dizer, conteúdo, vai ter que engolir mais um punhado dele. À maneira de Vargas, saio do anonimato de leitor para entrar no anonimato de blogueiro. Resta saber se vou levar essa empreitada adiante ou parar no início como fiz com o judô, as caminhadas matinais, o Kung-fu, o estudo de filosofia, as aulas de bateria, teclado e percussão, a colheita feliz, o jiu-jitsu, as aulas de dança, a coleção de selos e a faculdade... peraí! nessa ainda continuo. Há portanto uma esperança, não a percamos.


Nota: Eu sei que blog tá meio simprão assim, mas em breve vou tentar dar uma melhorada no layout da bagaça.