sábado, 23 de janeiro de 2010

Kapitel 1 - Cursos de alemão e considerações sobre o tempo.


Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010. Como todo bom primeiro dia de um curso de alemão que já fiz na vida, eu estava atrasado.

Ainda me lembro da primeira vez em que entrei numa sala de aula, cuja língua de Goethe, Schiller, Mozart, Beethoven, Schopenhauer e Nietzsche - só pra ficar nos mais batidos - seria o mote da noite. Coincidentemente era também meu primeiro dia na FCL e em meio as centenas de calouros - a maior parte deles, tão bem informada quanto um asno do interior do Paraná - eu vasculhava classe por classe em busca de uma horda de bárbaros pronunciando sons guturais (não, não estou falando de bandas True Norwegian Black Metal, perobo leitor). Passados cerca de 20 minutos, avistei alguém que supus fazer parte da minha turma e segui o Mesmo até o local onde uma professora loira, de olhos azuis e perna quebrada, que parecia ter saído de algum vilarejo da Baviera - por causa da perna quebrada, naturalmente - torturava com ßs, umlauts e um aglomerado de consoantes em seqüência, alguns incautos que criam errônea e orgulhosamente ser a palavra "Chucrute" parte do léxico teutônico. Envergonhado, encontrei uma vaga entre meus colegas e tentei debalde acompanhar aquela algazarra lingüística. Estava atrasado.

No primeiro curso da APPA, não bastasse eu estar atrasado, ainda entrei na sala errada; a vergonha e a falta de compreensão foram maiores nesse dia. Os outros alunos, todos desconhecidos para mim, perceberam logo minha gafe tragicômica e observavam-me com um olhar num misto de riso e piedade. Era a segunda vez. No ano seguinte, novamente; contudo sem procura por sala e sem entrada equivocada dessa feita, mas, pela terceira vez, atrasado. No mesmo ano, curso de alemão intensivo no Instituto Goethe, em São Paulo. Ainda enrubesço quando me lembro desse episódio. Inocente no trânsito da capital, deixei para procurar o ônibus no último instante. Resultado? Ônibus errado e 1 hora de atraso. Transpirando feito um porco-espinho (maldita ladeira da Rua Lisboa), ainda tentei safar-me na porta da sala com um educado "Guten Abend" ,no que o professor rebateu com um irônico "Gute Nacht", para a alegria da platéia. E isso não foi tudo. Bastou chegar o intervalo para descobrir o quê? No afã de chegar a tempo à aula, entrara na sala 12 em vez da 11! Boa, campeão...!

Pode até parecer indisciplina, eu sei, mas acreditem, por mais que eu viva no improviso, chegar atrasado, mormente em compromissos que fiz com prazer e espontânea vontade, não é do meu feitio. Em todos os outros dias se não cheguei adiantado, cheguei pelo menos no horário. O inferno é o primeiro dia. Caso é que começo suspeitar do tempo. Não falo aqui de "Zeit" mas sim de "Wetter, não é de Chronos, mas sim de ahn.., bem vocês me entenderam. Ele tá de sacanagem comigo, só pode. Para efeito de estatística, das últimas três vezes que coloquei o pé, digo, o pneu na rodovia, quatro choveu. Tanto que alguns dias atrás, voltando da casa do Goes, em Matão, tive que pegar-lhe emprestado uma jaqueta e um par de botas para chegar a salvo em minha cidade. Dança da chuva? Produtos químicos que aceleram a precipitação? Balela. A saída para acabar com a seca no sertão nordestino está aqui: coloquem-me na condução de um veículo de duas rodas com motor dois ou quatro tempos, que é água na cabeça.

E não se trata apenas de chover no dia que resolvo viajar de moto. O malandro tem suas artimanhas. Nesta fatídica segunda-feira a que me referi no início, foi a pior de todas as vezes. Já encontrava-me no lombo da minha cavalgadura mecânica quando vislumbrei a leste - destino de minha viagem - algumas Nimbostratus incipientes a despontar no horizonte. Contrariado, apeei da condução e coloquei a roupa de chuva na mochila por precaução. Nem bem havia rodado 20 Kms quando na altura de Nova América o primeiro pingo deu às caras. Pacientemente estacionei meu meio de transporte num ponto de ônibus e dei início ao ritual de agasalhamento, assim mesmo, com “ga”. Calça, botas, jaqueta por baixo e blusa de chuva por cima... é... e, o que parecia uma tarefa simples, tornou-se o pior dos meus pesadelos.

Como na mochila não viajava apenas a roupa de chuva, mas também o material para o curso, alguns equipamentos eletrônicos e um livro emprestado, notei que ela também precisaria de proteção. Foi então que tive a brilhante idéia de colocar a blusa de chuva por cima da mochila. Estiquei-a o máximo que deu até que consegui prender a base do zíper. Como fizesse muita força e também porque a blusa é impermeável e quente, o suor já escorria aos borbotões. Comecei a subir o zíper que, não muito para o meu espanto, quando estava na metade, estorou na base e abriu deixando-me atado de tal forma que parecia um boneco de Olinda. Foram minutos de luta incessante para sair daquela situação. O maldito não subia nem descia e já ameaçava esgarçar de vez e me deixar na mão. A essa altura o suor jorrava litors!!11! enquanto eu batalhava bravamente e entoava um mantra budista pra não mandar tudo às favas e voltar pra casa tirar meu sono atrasado. Consegui enfim me livrar daquilo que já tinha se tornado uma camisa de força e pude dar continuidade ao meu itinerário.

A mochila foi na chuva mesmo. Resolvi acreditar na impermeabilidade que me prometera o chinesinho da Barra Funda (- Balatinho, balatinho!) e mandei brasa. Entrei na Washington Luiz e quando eu achava que estava tudo bem, o danadinho aprontou mais uma das suas. Um sol ofuscante resolveu brilhar ao mesmo tempo em que o céu ameaçava desabar na região. E os óculos, onde estavam? Na gola da camiseta que estava debaixo da jaqueta que estava debaixo da blusa de chuva - sim essa mesma de há pouco, meus queridos. Sem parar o biciclo, enfiei a mão na blusa e num movimento a la Johnny Cage, os vesti.

Ok, muitos kilometros sob simultâneos chuva e sol intermitentes e meu suplício parecia chegar ao fim. Qual! Faltando poucos kilômetros para chegar em Araraquara, eis que a chuva cessa de repente e poucos metros a frente, sequer qualquer indício de umidade parecia ter havido ali nos últimos dias, o que contribuiu para a bocozisse da cena no momento em que entrei vestido feito um jacu de carapaça na seção de graduação para pegar a chave da Kit com o Du.

E quer saber, cansei. Não tomo mais chuva de moto. Tomo a pé mas não tomo de moto. Acabei da colocá-la a venda nos classificados do Jornal da Cidade. Interessados entrar em contato comigo.


Nota 3: O Bruno me prometeu enviar alguns Templates e  logo o GG estará de cara nova.

7 comentários:

  1. Mas é uma anta esse meu amigo... uma anta molhada :P

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  2. Hahahahaha! Muiot bom, Gu! Quanta história pra contar, hein? E quanta chuva! Acho que o "Wetter" tem realmente alguma coisa contra vc! rsrsrsrs.... Ah, eu tb me lembro desse primeiro dia de aula, no primeiro ano...e me lembro bem do seu atraso! hahaha!
    beijos!
    Adorei o blog!

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  3. É...e pode tirar o seu biciclo da chuva(literalmente), que nem vai rola deu te empresta meu óculos de novo.
    Num gostei nadinha dele estar "..Na gola da camiseta que estava debaixo da jaqueta que estava debaixo da blusa de chuva...", pois era para ele estar guardadinho dentro da capinha(protegido)!
    E tamben não gostei nadinha, de novo, daquele trecho "...enfiei a mão na blusa e num moviemnto a la Johnny Cage, os vesti...", vc foi indelicado com meu óculos!
    Fui clara?

    Lucia

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  4. *OWNED*

    Já que você me comprometeu publicamente com o template deste seu weblog, e como "tu te tornas eternamente responsável pelo link que prometes", segue: http://btemplates.com

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  5. Eh o que eu digo Gu: tomar chuva na cabeça = aufregen

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  6. To, vendo que vou ter que começar a moderar os comentários por aqui, né D. Lúcia?

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  7. Não vai mais escrever não, sr. Gustavo?

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