quarta-feira, 28 de abril de 2010

Capítulo 4 - Sacudindo a poeira e descobrindo neuroses

Bom, vamo lá, lembrei que tinha um blog e que por ser cria minha não merece menos atenção que um filho - se bem que se eu abandonasse por tanto tempo assim um incapaz já estaria amargando uma cana. Mas tudo bem, essa criatura aqui não chora nem reclama (tirando minha única e especial leitora assídua que cobra postagens. Valeu Ká, uma mãe completa, que além de zelar da minha higiene e alimentação, ainda verifica se estou fazendo certinho o dever de casa) e nem conta com um estatuto próprio que a defenda.

No começo dessa empreitada tudo eram flores e na empolgação do início cheguei a crer que postaria algo novo toda semana. Balela. Comecei no início de Janeiro - ano novo, vida nova, blog novo - prometendo não abandoná-lo como fiz com o judô, as caminhadas matinais, o Kung-fu, o estudo de filosofia, as aulas de bateria, teclado e percussão, a colheita feliz, o jiu-jitsu, as aulas de dança, a coleção de selos e o twitter, mas zás, 5 postagens depois e deixei um mês inteirinho para trás; março passou em branco e abril se salvou aos 45 do segundo tempo num gol chorado (E aí, Dai, aprendi bem a fazer metáforas futebolísticas?). Acho que da última vez que postei algo, ainda estava com o monitor velho... quero dizer, mais velho.

De lá pra cá nada de muito novo no front, com exceção de que as aulas voltaram e a maior parte dos meus colegas de sala se formou e deu linha na pipa. Quase toda a outra parte que sobrou não faz as mesmas disciplinas que eu, de modo que se não fosse o power trio, Alê, Jacque e Su, eu já teria se suicidado com um afogamento no espelho d'água, tamanho o tédio que ronda esse resto de faculdade.

E por falar em pessoas que picaram a mula, deitaram o cabelo, fizeram rastro, queimaram o chão,  vazaram na brachiaria, pegaram a reta e sumiram do mapa, depois do Johnny que foi pra Grécia (e veio ver os amigos há 1 mês) e da Estela que vazou pros States, a Larissa também fez as malas e caiu no mundo, foi parar na Alemanha. Pelo jeito, em pouco tempo, cativou a branquelada com a aquele quadril de brasileira e aqueles cabelos cacheados jeito caipirão de ser (sardade do cê amigona, fidumaégua que não responde no msn).

E caralho, agora comecei a lembrar de um monte de coisa que aconteceu desde a última vez. Ainda ontem queixava-me do marasmo que assola a vida ultimamente, entretanto, foi só dar uma remexida na gaveta da memória e algumas peças que estavam dobradinhas lá no fundo saltaram à tona. Mas deixa pra lá, fica pra próxima. Só que fui pra praia... prosaico, não fosse que foi minha primeira vez no mar e como eu já acreditava que era salgada, não!, não tive a estúpida vontade de experimentar aquela água chuja pra comprovar. Ceticismo tem limites. Ah, e tomei uma multa por excesso de velocidade. Mais pontos numa carteira e menos dinheiro na outra. Mas tudo bem, eu poderia ter sofrido um acidente.

Voltando pra faculdade, gostaria de registrar aqui o motivo que me tirou da inércia e me fez retomar essa porra os escritos. Desde a semana passada eu já estava sabendo de um serão literário com um tal escritor Nelson de Oliveira que haveria hoje no anfiteatro B. Nunca havia lido o cara mais gordo, tampouco ouvido falar sobre, mas farto da teoria das salas de aula decidi que iria, pra curtir um pouco a literatura em vez de apenas ficar abrindo-lhe a barriga pra fuçar nos orgãos.

Cheguei atrasado, porém a tempo de ouvir ao escritor bastantes cousas interessantes, sobretudo sua opinião sobre o futuro do mercado editorial (além de escrever ele também trabalha numa editora) e do livro enquanto esse objeto tradicional, a literatura que não é altamente vendável e sua geração de escritores, conhecida como geração 90. Já os contos selecionados para a ocasião não me agradaram sobremaneira, pois não havia ali qualquer coisa nova no que toca a experimentação. O que me agrada ver em escritores novos é a capacidade de fazer bem o velho, se bem que até a experimentação tá velha, falo do velho tradicionalzão mesmo.

Mas o mais interessante foi que descobri ter uma neurose sem precisar pagar o psicanalista. Explico. A neurose era dele, contudo, quando ele a expôs, eu bem que quis interrompê-lo cobrando meus direitos de autor, porque aquela idéia - que em explicação ulterior, descobri ser uma neurose - tenho certeza que era minha. Consiste no seguinte, para ele o mundo é um enorme teatro e as pessoas vivem fingindo as relações sociais o tempo todo, assumindo obstinadamente seus personagens, pois só isso explicaria a não resolução de problemas (dentre eles uma guerra, por exemplo) facilmente resolvidos por qualquer aprendiz de lógica. Pois bem, eu que há certo tempo refletia nisso, já me havia adiantado em algum ponto: tal resolução só não se dá porque estamos lidando com seres humanos e não com animais racionais. E tenho dito.